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Rendes-te?

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"Chamamos os soldados japoneses de fanáticos quando preferem morrer a se deixarem aprisionar, enquanto que os soldados americanos que fazem o mesmo são... heróis"

Robert Maynard Hutchins


Quem brincou aos índios e aos cobóis quando éramos pequeninos? Fui um deles e lembro-me passarmos horas na rua, no nosso bairro, duas dúzias ou mais de miúdos a fazer guerras e pazes. Um jogo, de regras difusas que mal recordo, dois grupos, uns índios, outros cobóis, "armados até aos dentes" de equipamento guerreiro, arcos, flechas e lanças feitos de canas, revólveres e carabinas para aqueles com pais mais afortunados, ou que queriam criar invejas, ostentações e lutas familiares aquando do Natal com "Mãe, quero uma pistola! Quero um chapéu! Quero um fato!" pedidos constantemente negados. Improvisação reinava quando não havia pai rico, camisas e calças, penas de gaivota a picar o couro cabeludo, de pombo no fim das flechas numa ilusão de direcção, canas compridas com molas …

Iraque vs. Suécia

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Tenho acompanhado ao de leve uma pequena "celeuma" acerca de uma rixa que aconteceu faz quase uma semana na nossa cosmopolita... Ponte de Sôr! Começo já por classificar tudo o que vi em comentários nas redes sociais dizendo peremptoriamente que, fossem os gémeos intervenientes nesta polémica... suecos, e tudo isto não teria sido mais do que mais uma algazarra entre jovens estudantes, adolescentes num qualquer bar algures em Portugal. Infelizmente para eles, e para nós, são iraquianos. E vai daí caiu o Carmo e a Trindade em cima dos ombros destes jovens quase incógnitos, agora alvo de uma atenção que não esperariam ter num país tão pacato que é Portugal.
Mas Portugal é só pacato quando a inveja,  ignorância e intolerância estão distraídas. Neste caso vem à tona o privilégio destes indivíduos usufruírem de imunidade diplomática através do seu pai, Embaixador do Iraque em Portugal. E este é um facto legal incontornável. E comentários são feitos, desabridamente, do…

Texas Bar

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Estive a calcorrear recentemente caminhos antigos de Lisboa que agora estão a ser mais ou menos recauchutados. As minhas deambulações levam-me à célebre Rua Nova do Carvalho ali numa geografia tão familiar pois o meu pai trabalhava na Praça Duque da Terceira résvés Cais do Sodré, ligado a companhias de navegação e à tradicional quinhentista e talvez única atividade lisboeta e nacional de import-export.
À Rua Nova do Carvalho cabia o dever de proporcionar terapia emocional e sexual a todo um contingente masculino e marujo que chegava temporariamente ao Porto de Lisboa. Para mim pequenino e adolescente nos anos 60 e 70, o local era descrito como a Rua das Putas e tinha aquele ar mesclado de enigmático, proibido e mágico, associado a uma eterna condenação católica e infernal. Muitas vezes almocei com o meu pai no restaurante Porto de Abrigo na Rua dos Remolares, numa altura onde ainda se tinham duas horas para almoço e era de lei ter sopa, segundo, sobremesa e vinho, sem me aperceber que …

Dos Livros... e dos Desenhos

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Nunca fui bom a Desenho, não sei bem porquê, sou quase uma nulidade, tenho problemas de espaço, de projectar uma ideia nos confins restrictos de uma folha de papel ou tela. Trabalhos Manuais ainda pior, o mesmo problema agora em 3D. 
Quando estava no ciclo, no Liceu de Oeiras, nos ainda novos na altura barracões de lata, esta minha incapacidade perturbava os meus professores, especialmente no 2º Ano. Lembro-me de gastar enormes quantidades de papel de lustro vermelho mais arame e cola e horas para acabar com uma caixa à qual o meu professor não pôde exprimir qualquer comentário, só um olhar de frustração a reflectir o meu. Passei a Desenho sempre résvés com 10 valores mais por piedade, esforço e conjuntura com o aproveitamento noutras disciplinas. Deve ser por isso que gosto de fotografia, gosto de imagens, o espaço à minha frente é infinito e os fotões fazem o trabalho todo por mim.
Mas o 1º Ano do ciclo foi diferente. O meu professor de Desenho e Trabalhos Manuais era o Zink (apelido …

Imperdoável

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Ontem fiquei chocado por ver estas imagens que correm no País global, imagens "tradicionais" de um polícia a agredir um cidadão. Pensava eu que este tipo era de outros tempos, dos tempos do Maio de 68, 69 e seguintes, de canhões de água, tinta verde etc... Pensava eu que a PSP não era como as outras, que manipulam a lei depois de executar um Afro Americano pelas costas, ou um individuo que leva uma cadeira desmontada debaixo da gabardina e é confundido por uma caçadeira ou um outro que é brasileiro (não árabe) e é executado também no Metropolitano londrino com 7 (sete!) balas na cabeça. Pensava eu que a PSP de agora recrutava gente com educação e perspectiva e, não a tendo, a oferecia em treino como parte de um Corpo que deve estar ao serviço do cidadão. Vejam como me enganei:

Pois é... enganei-me. E  pior é que no dia seguinte depois de vermos imagens do mesmo nível de Ferguson ou Daesh ou North Charleston, a mesma língua de trapos vai tentar renegar as imagens. Sim, que um …

A lógica da estupidez.

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O Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal vulgo Paulo Portas (ou será ex-ministro, ministro demissionário, sem pasta, sem espinha dorsal) foi chamado à Assembleia da República ontem para prestar esclarecimentos acerca da viagem do Presidente da Bolívia a semana passada. Os argumentos utilizados para se desculpar e exonerar são de uma infantilidade absurda. Por um lado parece saudável que a Assembleia ainda possa requerer a presença de um membro do Governo; por outro lado a maneira como se deixaram "embarretar" é quase enternecedora. Ver um (ex)ministro a mostrar um desenho género "se não percebem eu faço-lhes um!" parece ser suficiente prova de esforço e mérito e justificativo de que tudo está bem. Aos nossos deputados é q.b. mas o número de omissões e mentiras é quase absurdo.
O avião do Presidente da Bolívia, FAB001, é um Falcon Dassault 900 EX e tem uma autonomia de 8.340Km. A distância direta entre Moscovo e La Paz é de 12.494Km a que se podem adicionar …

Apanhar ou saltar do comboio?

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Li esta manhã um pequeno artigo do Pedro Santana Lopes publicado no Correio da Manhã de título Campanhas Eleitorais e faltas de comparência. Admiro-me com a sua admiração pelo facto de ainda hoje não existirem candidatos e candidaturas às autárquicas de algum substrato e credibilidade pelo PSD, quando a contagem decrescente já começou. E pergunto, qual será o político profissional que irá alinhar em comboios, laranjas, rosas, vermelhos ou azul-marinhos, beijar bébés e cidadãos de representação esquecida e fosca, numa altura em que o povo está na rua a pedir contas, literalmente, no Brasil, Turquia, Bulgária, e onde até aqui, no País do aperfeiçoado até à exaustão disfuncional Estado de Direito, políticos começam a ser encarcerados, investigações começam a chegar ao fim, desta vez completas e acusantes?

Qual é o quadro do PSD que se irá chegar à frente em Lisboa ou Porto para substituir ou continuar um cargo em que o escrutínio e prestação de contas está já do outro lado da porta, com a…